Desde o período colonial, a Amazônia foi marcada por uma ocupação violenta, baseada na exploração extrativista e no controle de uma elite branca, majoritariamente portuguesa. Apesar de sua importância estratégica, a região era politicamente marginalizada.
Ao contrário da visão tradicional, os povos indígenas, como os Mura, Munduruku e Mawé não foram passivos. Participaram ativamente com fugas, alianças e confrontos que, mais tarde, se ligariam à Cabanagem.
A crise começou quando o Grão-Pará foi forçadamente integrado ao Império do Brasil após a Independência, o que foi visto por muitos como continuidade do domínio colonial. A população local, especialmente os setores populares e indígenas, ficou excluída da cidadania e dos direitos políticos.
A sociedade amazônica era profundamente desigual: de um lado a elite; do outro, indígenas, negros e mestiços marginalizados, muitos dos quais viviam em cabanas simples, os chamados cabanos. Esses grupos formaram a base da revolta, buscando autonomia, melhores condições de vida e participação política.
Surgiu então o chamado patriotismo cabano, uma união popular contra o "mandonismo branco". A Cabanagem foi marcada por guerras, alianças instáveis e forte participação indígena, especialmente nos sertões e regiões ribeirinhas. A luta refletia um projeto alternativo de poder, enraizado na resistência popular e indígena.
Longe de ser uma revolta isolada, a Cabanagem foi uma guerra civil radical, resultado de décadas de exclusão, violência e luta por reconhecimento e justiça na Amazônia.
