DESCONHECIDO. Cena da Cabanagem em Belém: cabanos em confronto urbano. [ilustração] s.l.: s.n., s.d.
Um dos traços mais marcantes da Cabanagem foi sua fragmentação interna. As lideranças políticas demonstravam diferentes projetos de revolução, tendo em vista que parte da elite local desejava apenas substituir o comando politico da província, enquanto os setores mais populares visavam transformações muito mais profundas, como a posse de terras e a autonomia política. As disputas internas se tornaram ainda mais graves quando as lideranças cabanas começaram a negociar com o Império. Félix Clemente Malcher, que foi proclamado pelo povo presidente do movimento, representava setores da elite, e tentou conter o ímpeto popular, além de não romper a aliança com o Império, o que gerou profunda insatisfação dos cabanos levando Malcher a ser deposto e executado.
Além de Malcher, Francisco Vinagre e Eduardo Angelim também assumiram a liderança do movimento, ambos representando a camada mais próxima da militar. No entanto, os mesmos também enfrentaram contradições em suas lideranças. Portanto, nota-se que a liderança do movimento cabano não pode ser vista como coesa ou homogênea, a partir do fato de que a mesma foi marcada por disputas entre as elites locais, os militares, as lideranças indígenas e os grupos armados autônomos, demonstrando assim a dificuldade em conciliar os diversos interesses na mesma revolução.
A identidade cabana é marcada pela pluralidade, apesar disso, uma ideia de identidade comum foi criada durante a Cabanagem, o chamado patriotismo, o qual não tinha ligação com fidelidade ao Império e sim com a lealdade ao território e a memória coletiva de opressões sofridas. A identidade “patriota” é importante para evidenciar o protagonismo dos povos indígenas. Tais povos não apenas participaram da Cabanagem, eles a moldaram e a possibilitaram com seus conhecimentos dos rios, da floresta e das estratégias de guerrilha, que foram imprescindíveis para a longevidade do movimento.
